"Aqui se 'vive' e se 'respira' poesia... Faça parte deste espaço, siga-nos...

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sábado, 7 de março de 2015

Espaço Homenagem Viva: [ Sara Rosa ]









Homenagem Viva




















 

 


Incenso de Jasmim
Sara Rosa
Estoril - Portugal

Gosto da flor e incenso,
Gosto de o queimar
Para perfumar a casa
Mas altera minha nacionalidade
Vejo-me com véus, sinto meu corpo
Dançando, ondulando com meus enfeites
Estou noutro lado, até no pensamento
Ando por aquelas ruas, tapada
Como seja natural e o é lá
E eu mudo com este perfume especial
Que pega em mim e me leva
Para longes lugares que me
Fascinam, não viveria lá, mas me
Seduz todas aquelas cores
Todo aquele mistério que apresentam
Que o tenho desde pequena,
Adoro o jasmim e ainda mais
Porque me faz viajar, como o fiz
Mas o pensamento continua,
Ele me trás o mistério,
Não falando no chá, que me enebria.
















 
 

Luz tardia
Sara Rosa
Estoril - Portugal

Assim sou ao entardecer da vida
Mas olho e vejo a luz que desconhecida
É linda, conta-me a história da vida
Que vivi e vivo, é uma luz radiosa
Cheia de sulcos, mas onde brilha
Cada passagem do meu viver
E como gosto de entardecer
Revejo-me e gosto de ver o que passou
E me trouxe esta luz tardia, mas bela,
Meus olhos, olham com mais amor
Compreensão e brilham dessa mudança,
O meu interior é um céu estrelado que
Ilumina o meu olhar, o tornando sábio,
Tardia está minha pele, de tantas mãos
A afagarem deixando suas marcas,
Luz tardia, és linda, dás-me de volta
O Outono que marca o cair das folhas
Das árvores, como eu me sinto nesta
Luz tardia que me envaidece de tanta
Beleza, da que tive e a que tenho agora.
















 
 

Numa certa idade
Sara Rosa
Estoril - Portugal

Temos sintomas desconhecidos
Não querendo acreditar,
Mas, pensando na idade
Justifica-se o que sentimos,
Todas estas modificações sem
Nossa autorização, mas,
Há dentro de nós um... Quê
Que não se modifica... O AMOR
O Amor, mesmo não o querendo
E o mandando embora pela idade,
Ele teimoso como sempre foi
Fica colado a nós, nos fazendo
Lembrar a juventude que passou,
Deus deu-lhe uma força enorme,
Diferente da do nosso corpo matéria
Que começa a ser fraco, ai o
Amor continua sua caminhada
Como não fosse nada com ele
Dá-nos os mesmos sinais de sempre,
Aquele arrepio no estomago ou na
Nossa coluna e ficamos parados
Admirados com os tais sinais,
Ai amor, amor forte, te invejo
És forte enquanto eu fraquejo
Nesta idade em que estou
Que parecia esquecida de mim,
Obrigada, da força que me dás.



















 






 

Onde estás sombra minha
Sara Rosa
Estoril - Portugal

Até tu me deixas-te só
Olho à volta e não te vejo
Já nem meu corpo tem sombra
Conforme eu já não tenho corpo
Sou um sopro que se move
À procura dum sitio onde se esconder
Tenho vergonha de já nem
Sombra ter, de ser um sopro em
Que a vida me transformou,
Gosto do vento porque vou com ele
Mas ele é duro, não amoroso
O que mesmo ao sopro ou á
Sombra faz falta, afinal
Neste mundo rude, o carinho
A amorosidade desapareceram,
Infeliz de quem está sempre
À espera dum momento de afago
De um abraço amigo, quente
Duma palavra de carinho, doce
Daqueles que em corpo
Vieram ao mundo por mim,
E assim desfazendo o sopro
E a sombra voltaria de novo.
















 
 

Saudade da saudade
Sara Rosa
Estoril - Portugal

Ai que saudade tenho
Do antes de nascer
Ela é dum tamanho
De que não posso crer

Ai que saudades tenho
Doutro tempo que vivia
Ainda não sabia o tamanho
Da saudade que viria

Ai que saudade tenho
Do que vi antes de nascer
Me apetece morrer
Para a saudade voltar a ver

Vim ao mundo com essa saudade
E por ela tentando viver
Não se cala esta saudade
Com a saudade antiga de me ver

Saudade para nascer
Saudade para morrer
Saudade foi meu antes
Saudade como dantes.
















 
 

Paixão
Sara Rosa
Estoril - Portugal

É a chama dos fósforos ao pé
Da madeira ou carvão, a
Chama incendeia os dois e
Ai vem a paixão em altas
Labaredas no primeiro contacto,
É natural... Linda a labareda
O entusiasmo do contacto é
Parecido com uma troca de
Olhar especial que nos incendeia,
Ela vive o seu tempo, até
Acalmar tornando-a mais
Compacta, pondo a madeira
E o carvão só a arder, assim
É o amor, só arde quando
É verdadeiro e nos aquece
Por dentro e por fora, fazendo
Durar aquele calor tão bom,
Tão acolhedor para a alma,
Faz-se durar para nos manter
Quentes, amorosos, mas tudo
Tem um fim quando não é renovado
Nova lenha, tudo se apaga, vem o frio
Vem o fim e nos sentimos enganados,
A lareira devia ser sempre
Alimentada com carinho
Atenção, com verdadeiro amor
Como Deus faz no nosso coração
Ateia a Fé, para que não o
Abandonemos, mas Deus é Deus
Não o pobre ser humano que
Não sabe manter a lareira acesa
Só estragando o que deu calor há Vida.
















 
 

O mar da sonhos à vida
Sara Rosa
Estoril - Portugal

Levo-me para junto dele
O vejo correr como a vida
E leva os meus sonhos de vida
Aqueles que as ondas os levam
Sonhos tão sonhados e acabados,
O mar leva o resto dos meus sonhos,
Talvez faça bem, já não os tenho,
Ele sim na sua bravura
Mostra os sonhos à tona d'água,
Porque os tem e grandiosos que são,
Os mostra sem receio que os tirem
Como a mim, numa onda raivosa
Levou aqueles que não existiam
Ou que só estavam bem dentro
Muito dentro de mim, porque
Tinha sido o mar que amo que
Deu-nos na sua loucura
De amor e ódio no seu vai e vem,
Conservei esses sonhos e ainda
Quando vou ao mar lhe digo,
Estão aqui no coração sonhador
Que me fizeste ter quando
Te olhava maravilhada,
Deste sim, sonhos à minha vida
Mas a vida os foi tirando
E estou vazia, sem sonhos.












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