"Aqui se 'vive' e se 'respira' poesia... Faça parte deste espaço, siga-nos...

"Aqui se 'vive' e se 'respira' poesia... Faça parte deste espaço, siga-nos...

sábado, 26 de abril de 2014

Espaço Homenagem Viva: [ Dirceu Rabelo... ]







Homenagem Viva











Alcateia
Dirceu Rabelo
Dom Joaquim - MG


Somos como uma densa floresta
Onde vive uma briguenta alcateia
Lobos famintos que se devoram
Em frenesi de vãs interpelações.
E cabe a cada um de nós arbitrar,
E controlar tamanha algazarra.
Porque os nossos pseudo animais
Não são coisas falsas que carregamos,
E que nos acompanham pelas vidas,
Sucessivas reencarnações por nada!
Uma delas é o amor; a outra é o ódio.
Vence a luta, entre a alcateia louca,
Aquele lobo que recebe mais alimento.
Alimentemos a nossa loba do amor,
Que o lobo do ódio se enfraquecerá.










A arma da urna
Dirceu Rabelo
Dom Joaquim - MG


O povo sai às ruas e mostra seu interesse em mudar
Fazem-nos grande bem, esses ventos de transição,
Que forçam os sisudos e corruptos poderes a pensar
Em nossa combalida, mas ainda assim amada nação.

Somos um povo ferido pelo desconforto da vergonha,
De nascer num país onde político tem DNA da rapina.
A terra passa por sérias mutações; tiremos a peçonha,
Dessas cobras politiqueiras, ofídios movidos a propina.

Saiba caro eleitor, que você tem uma arma na mão.
A escolha de um candidato é momento bem crítico
E não é a política que faz um candidato virar ladrão,
É o seu voto errado que faz o ladrão virar... político!










O velho sobrado de Lisboa
Dirceu Rabelo
Dom Joaquim - MG


No velho sobrado abandonado defronte ao sótão
Que aluguei em minha viagem a Lisboa
Mora um espírito de mulher, branca, bonita
De vestes toscas deixando ver seus nadas desnudos
Que me dá sinais afagando os braços e os seios
E que as vezes, me joga beijinhos insistentes e tristonhos.

Quando estou no avarandado já tarde da noite
Bem agasalhado, tomando um chá e admirando a cidade
Ela, lá de dentro, por detrás da velha cortina de brocado
Manda seus amigos pombos correio com recados
Amarrados em suas pernas, para mim...
Todos; cada um mais apaixonado! E aguarda meu olhar.

É assim todas as noites, desde que aqui cheguei
Ela fica a sorrir para mim perto da velha sacada
E depois entra esvoaçante, toda trigosa
Como se fosse buscar para mim algum mimo
E busca! Uma flor amarela, que me arremessa
E esta vem como uma pluma, voando em câmera lenta
Apanho-a ainda no ar. Perfume estranho que invade o aposento.

Mas é com tristeza que percebi que há dois dias
Não a vejo mais, nem mesmo seus pombos. Que pena!
E bem agora que tenho que partir, sem despedidas...
Ela pareceu-me mesmo meio atribulada, coitadinha.
Ou serei eu que estou a ver coisas que queria ver?
Eu, minha solidão e meus fantasmas...










Meu cilício...
Dirceu Rabelo
Dom Joaquim - MG


Se um dia desses
Eu me sentir saudoso
Contristado por ti,
Juro que me açoitarei
E me censurarei
Veementemente!

Porque não mereces
Meia lágrima sequer
Deste ser que a ti
Aqui ainda se refere
Nem eu mesmo sei o porquê!

Não admitirei recaídas
Idas e vindas... Paixão finda!
Nem mesmo comiseração,
Nem um olhar de relance
Lançar-te-ei ao teu alcance.
Não! Estou resolvido
A não ceder jamais!

Reconheço porem
Minha fraqueza, e mais...
O quanto é desarrazoada
Minha morna indecisão
E meus vazios que te ferem.
E sei quão salafrário estou
Que desaperto meu cilício
Nesta penitência que é tormento
Em profano sacrifício

Suponhamos então que
Se me deres, agora
Uma leve esperança
De voltar [só uma!]
Mesmo que pequena
Não terei como segurar
Meu inconsequente coração
Que jamais te esqueceu...
Problema dele; não meu!











Coração ingênuo
Dirceu Rabelo
Dom Joaquim - MG


Ah! Coração sem malícia!
Por que me levou a amar assim,
Como um adolescente,
Crente de que sabia algo de mim
Quando eu ainda adolescia?

Por que fui gostar tanto assim,
Se nem ao menos conjugar
O tal de verbo amar eu sabia?
Gastei todo um valioso tempo
Que transcorria, e nem percebia...

Por que, coração, sem autopiedade,
Larguei tudo e me lancei ao infortúnio,
E alquebrado a despenhar-me no existir,
Mas ainda, no intrincado plenilúnio,
Para entender tamanha complexidade?

Mas, matutando bem... Para que?
Agora, na terceira e última idade,
Aquela que eu amava já se adiantou;
De que adianta guardar uma saudade,
Se ela já está longe, não me aguardou?

Só agora entendo o verdadeiro amar.
Perguntem-me que respondo de pronto!
Deste meu amargor vem perplexo conceito...
O que é amar? O que é amor? Eu conto!
Sei lá! Sei que dói fundo aqui neste peito...










Postagens populares