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sábado, 2 de outubro de 2010

Espaço Poesia 4 - [Nelly Rocha Galassi... Jota de Oliveira... Devanir Ortunes... Celso Simone... JD Zanco...]


Espaço Poesia


[ ... Aqui os[as] amigos[as] tem o seu espaço... ]

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Queria
Nelly Rocha Galassi


Queria uma poesia ensolarada
com sinos e repiques de alegria.
Uma poesia que tivesse risos
e perfumes de paisagem matizada.
Queria uma poesia em devaneio,
com notas musicais bem compassadas,
qual valsa no salão em mil volteios
dançada por casais enamorados.
Uma poesia enternecida e bela
em luzes pelas rimas emergidas.
Um pincel de pintor em cada verso,
em cada estrofe um canto doce e belo.
Se a inspiração me desse tal momento
eu o faria imenso e deslumbrado,
para entregá-lo à alma do homem triste
e num instante vê-la iluminada,
imersa em minha poesia ensolarada.





Boêmio Vagabundo
Jota de Oliveira


Sou um triste andarilho / seguindo sempre, eu trilho
Por essa vida sem brilho / vagabundo no meu Brasil.
Eu comecei em setenta / passei os anos oitenta
Atravessei os noventa / e já cheguei no dois mil.

Lembro e guardo bem o dia / ao deixar, por covardia,
Tudo aquilo que queria / na minha velha morada.
Saí pelo mundo a fora / com a dor que me devora
E assim vivo até agora / por causa da namorada.

Eu era um jovem bonito / não me acanho e aqui cito
Na escrita era um perito / e na escola um professor.
Porém tudo se acabou / por alguém que não me amou
Só a tristeza restou / por causa de um grande amor.

Luiza, menina tão bela / eu amava essa donzela
A mais linda cinderela / de minha grande paixão.
Porém ela, descontente / teve outro pretendente
E assim deixou a gente / na mais triste solidão.

Em uma tarde serena / a minha bela pequena
Aquela linda morena / de branco, entrou na capela.
E a partir daquele dia / perdi a minha harmonia
Nunca mais tive alegria / por ter ficado sem ela.

Esse amor foi um martírio / que me levou ao delírio
Por isso, hoje eu prefiro / viver vagando no mundo.
E hoje sem compromisso / a ninguém sou submisso
Não sou nada, apenas isso / um boêmio vagabundo.






A Caminhada
Devanir Ortunes


Meu pensamento viaja pelo mundo
respiro fundo e procuro alguém
percorrendo vales, montanhas e florestas,
mas na procura não encontro ninguém.

Nos desertos quentes ou gelados
com o cansaço tomando conta de mim
avanço sempre, com fé e coragem
nada me assusta, nessa estrada sem fim.

E nas paradas onde faço meu descanso
é solidão, sem ninguém para me ajudar
mas, se tivesse, eu poderia aprender algo
ou, o pouco que sei, poderia lhe ensinar.






Chuva de Paz
Celso Simone


Que caia torrencialmente
Uma chuva de paz.
Que molhe de forma febril.
Todos os cantos sem mais,

Sabe...
Reatores nucleares explodem
Morrem pessoas.
Outras tornam-se inférteis,
A radioatividade se espalha
E outros futuros aleijados virão.
É hora de acabar.
E guerra terminar.
Fusível não mais soar.
Canhões parar...
Sabotagem química terminar.
Terroristas findar.
É hora de acabar.
E no mundo reinar a paz.
Eu preciso dessa chuva.
Que ela varra o mundo.
Que seja uma fonte nova.
Que cause enchente de amor.
Abra o caminho nas casas.
Que afogue as pessoas na paz.




A outra janela
JD Zanco


   A menina debruçada na janela trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor causado pela morte de seu cão de estimação. Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras.
   O avô, que observava a neta, aproximou-se e a envolveu em um abraço, tomou-a pela mão e conduziu-a para uma janela localizada no outro lado da ampla sala, para que visse o jardim florido e perguntou-lhe, carinhosamente:

  - Está vendo aquele pé de rosas amarelas bem ali à frente? Lembra que você me ajudou a plantá-lo? Foi em um dia de sol como hoje que nós dois o plantamos. Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos e hoje, veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões - promessas de novas rosas.

    A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em sua face e abriu um lago sorriso mostrando as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre umas e outras das tantas rosas de variados matizes que enfeitavam o jardim.
     O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto:

  - A vida nos oferece várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causar tristeza é só buscarmos outra e, certamente nos depararemos com uma paisagem diferente, capaz de nos dar conforto. Tantos são os momentos de nossa existência, tantas as oportunidades de aprendizado, que nos visitam no dia-a-dia, que não vale a pena sofrer diante de quadros que não podemos alterar.
    Todos os momentos de nossas vidas são experiências valiosas, das quais devemos tirar lições oportunas sem nos deixar tragar pelo desespero ou revolta.
     Se hoje, de uma de suas janelas, você observa um quadro desolador, lembre-se de que existem tantas outras janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.
     Não se permita simplesmente contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e abra novas janelas, seguindo em frente animado e disposto.






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